Prevent Senior persegue médicos que denunciaram esquema do “kit covid”, diz advogada

Depoimento nesta terça-feira, da advogada Bruna Morato, representante de 12 médicos que trabalham ou trabalharam na Prevent Senior, promete ser um dos mais explosivos da CPI

Sede da Prevent Sênior em São Paulo (Foto: Divulgação)

A advogada Bruna Morato, representante de 12 médicos que trabalham ou trabalharam na Prevent Senior, promete levar à CPI da Covid nesta terça-feira (28), um dossiê com uma série de documentos, resultado de um ano e meio reunindo informações de seus clientes. De acordo com ela, ao longo desse período, a operadora “caçou” os profissionais responsáveis pelas denúncias, para que sirvam de exemplo a outros médicos. “Estão sendo perseguidos, estigmatizados e desqualificados”, diz a advogada.

Seu depoimento, que promete ser um dos mais explosivos desta última fase da CPI, será poucos dias depois de os senadores ouvirem, na última quinta-feira, o diretor-executivo da operadora de saúde, Pedro Benedito Batista Júnior, refutar um dossiê que aponta irregularidades no tratamento de pacientes com covid-19.

Morato assessora médicos vinculados à Prevent Senior desde 2014. Em março deste ano, ainda no início da pandemia, eles começaram a relatar à advogada as primeiras irregularidades sobre o uso de cloroquina e outros medicamentos ineficazes. O Ministério Público foi acionado e abriu inquérito. “Eu também levei muito tempo para acreditar na história, para entender a história”, conta. “Obviamente tive que pedir provas, documentos. Busquei pacientes para checar as denúncias. As coisas foram acontecendo como uma bola de neve. Tudo foi duplamente checado”, assegura.

A Prevent Senior contava, em julho deste ano, com 542.471 clientes, a maioria em São Paulo. Cerca de 4.000 pacientes internados na rede de hospitais da operadora morreram com covid-19 ao longo da pandemia. Isso representa cerca de 22% dos 18.000 usuários que chegaram a ser hospitalizados por conta da doença nas unidades administradas pela empresa, segundo os dados divulgados por Batista Júnior durante a CPI.

O documento mostra como a operadora, voltada para idosos, testou em seus hospitais o chamado kit-covid —composto por hidroxicloroquina e ivermectina, entre outros medicamentos ineficazes contra a covid-19— em pacientes infectados sem o aval dessas pessoas ou da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). Quer dizer, elas teriam sido cobaias de um experimento ilícito. Além disso, a seguradora também teria ocultado mortes pela doença, como forma de apresentar as melhores estatísticas de recuperação. Antes disso, no início da pandemia, a empresa chegou a acumular 30% das mortes por covid-19 no Brasil, concentrando muita atenção negativa naquele momento.

Leia reportagem completa no El País

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