YouTube aplica decisão do TSE e corta receita de canais bolsonaristas

Site de vídeo sob demanda cumpre decisão para evitar que 14 canais continuem a propagar desinformação. Perda de receita pode chegar a R$ 15 milhões em um ano

Foto: reprodução

 O YouTube começou a cortar a receita dos canais bolsonaristas que propagam desinformação, conforme decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No dia 16 de agosto, o corregedor-geral do TSE, Luis Felipe Salomão, determinou a suspensão desses pagamentos. Os valores que deveriam ser transferidos aos donos dos canais ficarão depositados em uma conta bancária atrelada à Justiça Eleitoral.

A decisão atendeu a pedido da Polícia Federal, no âmbito da investigação aberta por causa da “live” em que o presidente Jair Bolsonaro disparou informações falsas sobre a segurança das urnas eletrônicas e do processo eleitoral. As informações são de Vinícius Valfré, no Estadão.

A medida foi direcionada às principais plataformas de redes sociais. O YouTube é a plataforma em que as possibilidades de receita são mais interessantes a esses produtores de conteúdo. Além de ganharem com anúncios exibidos nos vídeos, podem pedir doações aos internautas e, ainda, vender o acesso a materiais específicos.

A decisão do ministro Salomão afetou 14 canais do YouTube. Como mostrou o Estadãouma ferramenta usada na análise de mídias sociais estima que, juntos, eles poderiam faturar até R$ 15 milhões em um ano. O valor exato dos ganhos apenas as empresas possuem. Elas foram obrigadas a entregar essa informação ao TSE.

Ao determinar a suspensão dos pagamentos, Salomão frisou que as páginas e canais atingidos “comprovadamente vêm se dedicando a propagar desinformação” e, por isso, a medida seria “razoável e efetiva porque, em tese, retira o principal instrumento utilizado para perpetuar as práticas sob investigação, qual seja, o estímulo financeiro”.

“Na maior parte do conteúdo analisado, o que se constata não é a veiculação de críticas legítimas ou a proposição de soluções para aperfeiçoar o processo eleitoral – plenamente garantidas aos cidadãos e aos meios de comunicação -, mas sim o impulsionamento de denúncias e de notícias falsas acerca de fraudes no sistema eletrônico de votação, que, contudo, já foram exaustivamente refutadas diante de sua manifesta improcedência, inclusive pela própria Polícia Federal”, destacou.

O TSE também discute uma resolução para proibir durante as eleições que canais com conteúdo político possam ser “monetizados”, ou seja, impedidos de oferecerem lucro. A medida poderia ampliar os efeitos da decisão do corregedor.

No inquérito, a Polícia Federal passou a tratar o comportamento da rede bolsonarista como a replicação do método de Steve Bannon, estrategista do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. O mecanismo foi usado na campanha presidencial americana de 2016.

Com informações do Estadão

Via Rede Brasil Atual

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