“Auditor paralelo” de Bolsonaro para covid é destituído e deve ser proibido de entrar no TCU

O auditor Alexandre Figueiredo Costa e Silva confessou que o estudo que cortava pela metade as mortes pela covid foi passado por seu pai, que é militar, para Bolsonaro

Foto: Reprodução YouTube

O ministro-corregedor do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas solicitou à presidente da corte, Ana Arraes, que o auditor Alexandre Figueiredo Costa e Silva seja impedido de acessar o prédio e os sistemas do TCU.

Costa e Silva confessou à sua chefia imediata na corte que foi ele o autor do “estudo paralelo” mentiroso citado pelo presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido), nesta segunda-feira (7), para minimizar a pandemia do coronavírus.

O tal estudo mostraria que o número total de mortes por Covid no país – que se aproxima dos 500 mil – seria, na verdade, a metade do que vem sendo divulgado.

O auditor afirmou também que comentou o teor de suas opiniões com o pai, que é militar e amigo pessoal de Bolsonaro. O pai, segundo ele, teria enviado o texto ao presidente.

O TCU desmentiu o estudo e Bolsonaro se retratou logo a seguir.

“Fatos são graves”, diz Corregedoria

Ana Arraes já autorizou abertura de processo administrativo disciplinar contra o auditor. Além disso, Marques já foi destituído de suas funções de supervisor no Núcleo de Supervisão de Auditoria do tribunal. No lugar dele vai assumir Fábio Mafra.

Bruno Dantas afirmou que “os fatos até aqui apurados pela Corregedoria são graves e exigirão aprofundamento para avaliar a sua real dimensão”. “Para isso, é necessária uma decisão da presidente do TCU, ministra Ana Arraes. Ainda é cedo para extrair conclusões, mas, se ficar comprovado que o auditor utilizou o cargo para induzir uma linha de fiscalização orientada por convicções políticas, isso será punido exemplarmente”, afirmou.

Cargo no BNDES

Costa e Silva foi indicado pelos filhos de Bolsonaro para uma diretoria no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A indicação, no entanto, foi barrada pelo próprio TCU. Bolsonaro chegou a interceder pelo amigo dos filhos junto ao presidente do tribunal, José Múcio, e pediu que o servidor fosse liberado, mas nem assim conseguiu.

Convocação à CPI do Genocídio

O senador Humberto Costa (PT-PE), titular da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura as omissões do governo Bolsonaro no combate à pandemia, a CPI do Genocídio, protocolou nesta terça-feira (8) um pedido para que Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques seja convocado para depor ao colegiado.

Com informações da coluna de Mônica Bergamo e do Estado de Minas

Via: Revista Forum

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