Para derrotar Bolsonaro: Frente ampla ou Frente de esquerda?

Camilo Daniel

Sociólogo e mestre em desenvolvimento territorial

Percebendo a movimentação das candidaturas de esquerda e centro-esquerda para presidente da república, acho que é importante ressaltar quatro pontos fundamentais:

1) Todas as forças políticas e partidos tem autonomia para construir suas candidaturas presidenciais, e consequentemente apresentar um programa político e econômico para a sociedade. Em todas as eleições isso ocorre naturalmente, mas essa eleição de 2022 deve ser tratada de forma peculiar pelas forças democráticas por conta da sua complexidade.

É importante notar que ao mesmo passo que o Bolsonarismo cresce, inclusive nas camadas populares e em outras regiões do país, como o Norte e o Nordeste, existe a desistência de algumas candidaturas competitivas, como Luciano Huck e João Dória e a tendência de esvaziamento de outras candidaturas, como do DEM ou PSD. O cenário mais provável das eleições de 2018 para o campo político da direita e extremo-direita é o da hegemonia de Bolsonaro na corrida presidencial.

2) Bolsonaro é hegemônico no seu campo político e isso apresenta forças para ter hegemonia na sociedade e caminhar para a reeleição, assim como foi em 2018. Não há saída para as forças democráticas se não houver unidade entorno de apenas uma candidatura competitiva, mesmo com a possibilidade dos dois turnos. Essa avaliação decorre a partir de análises de pesquisas de opinião pública que acontecem desde a posse do então presidente. É perceptível que tanto a base eleitoral e política de Bolsonaro está extremamente consolidada, quanto a base social e política de Lula e do PT mantém a sua força eleitoral. A eleição pode se resolver no 1° turno, para Lula ou Bolsonaro, por conta da monstruosa articulação e apoio social que ambas as candidaturas apresentam. Dessa forma, é uma estratégia extremamente arriscada ter muitos candidatos no centro, centro-esquerda e esquerda e assim, correr o risco de entregar a eleição no primeiro turno para Bolsonaro, que tem a sua base eleitoral extremamente consolidada e unificada.

3) Boa parte da agenda política que o próximo presidente da república vai construir dependerá do congresso nacional e, nesse cenário, a tática dos partidos de esquerda e centro-esquerda deveria ser o fortalecimento das suas bancadas na Câmara dos Deputados e Senado Federal, concentrando dessa forma o apoio político ao candidato a presidente que melhor pontua nas pesquisas, que é Lula, obviamente. Parte da estratégia de 2022 deve ser considerada já em 2021, tendo como tática central a articulação no congresso nacional para a vacinação universal e a volta do auxílio emergencial de 600 reais, bandeiras que dialogam diretamente com a necessidade imediata do povo brasileiro.

4) Essa avaliação parte do princípio que não estamos vivendo sob um Governo apenas de loucos e negacionistas. Há um projeto neofascista se construindo com muita força na sociedade. Isso pode ser visto em algumas categorias da segurança pública, em setores empresariais, no agronegócio, no fundamentalismo religioso que cresce de forma considerável, etc. Esse projeto é representado por Bolsonaro e é hora de perceber que muito mais importante que um novo Governo Lula é a derrota nas urnas de Bolsonaro. Muito mais importante que construir uma proposta socialista para as eleições, é ter Lula na condução de uma grande Frente política capaz de derrotar Bolsonaro. Não haverá saída frente o avanço do Bolsonarismo se não unificarmos todas as forças para derrotá-lo.

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