Peritos da ONU criticam Bolsonaro por defesa de torturadores e do golpe de 64

Os especialistas criticam “teorias revisionistas e negacionistas de violações dos direitos humanos no passado”

Foto: Evaristo Sá/AFP

A insistência do presidente Jair Bolsonaro em defender o golpe de 1964 e exaltar torturadores do período, como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, tem gerado preocupação e mal-estar entre os relatores de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo reportagem de Jamil Chade, do portal Uol, a justificativa do governo de que Bolsonaro teria “liberdade de opinião” não convence e tem aumentado a indignação na ONU.

Em carta enviada o governo brasileiro em 29 de junho – e revelada por Chade com exclusividade -, os relatores Fabian Salviolli, Agnes Callamard, Nils Melzer e outros mais criticam a postura do presidente de negar a “existência de uma ditadura militar no Brasil entre 1964 e 1985”, banalizar as “violações cometidas” e avaliar o período como positivo.

“O presidente reafirmou em várias ocasiões que não houve um golpe de Estado, no país, mas um movimento político legítimo”, apontam os relatores, que estão preocupados com “teorias revisionistas e negacionistas de violações dos direitos humanos no passado”.

O grupo lista uma série de ações do governo e do presidente que exaltam a ditadura e formam “uma narrativa sustentada que mina os esforços existentes para criar uma memória do passado abusivo do Brasil e proporcionar reconhecimento às vítimas e suas famílias”.

Os relatores ainda afirmam ter “grande preocupação com as observações públicas feitas pelo presidente Bolsonaro e membros de seu Governo criticando o trabalho da Comissão Nacional da Verdade e negando a existência de uma ditadura militar no Brasil de 1964 a 1985, bem como avaliando positivamente os eventos ocorridos durante este período, que incluíram graves violações dos direitos humanos, e banalizando tais violações”.

Via Revista Fórum

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