Bolsonaro fez transações parecidas com as de Flávio no caso das rachadinhas

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez transações semelhantes às que levantaram suspeitas contra o seu filho Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) na investigação do caso da “rachadinha”. Parte delas foram identificadas na quebra dos sigilos bancário e fiscal anulada pela Quinta Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Os dados mostram uso de dinheiro vivo pelo presidente para ajudar o filho a adquirir imóveis e dinheiro de funcionária de seu antigo gabinete na Câmara dos Deputados abastecendo as contas de Fabrício Queiroz, suposto operador financeiro do esquema (…)

Informações públicas também indicam semelhanças entre a compra da casa na Barra de Jair Bolsonaro às transações imobiliárias que levaram ao aprofundamento de investigações contra Flávio.

Embora seja mencionado no material recolhido pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, o presidente não foi alvo das apurações. Em razão do cargo, ele só pode ser investigado por atos cometidos durante o mandato. (…)

O presidente se envolveu diretamente com dinheiro vivo numa das transações imobiliárias de seu filho 01, como Flávio é chamado. A declaração para Imposto de Renda do senador informa que, em 2008, Jair Bolsonaro lhe emprestou R$ 55 mil em espécie (…)

O uso de dinheiro vivo pelo presidente também foi declarado em suas campanhas eleitorais. Bolsonaro também doou R$ 10 mil em espécie para o filho Carlos este ano, quando a prática já era considerada irregular. O vereador devolveu o dinheiro, o que é permitido pela legislação, e o pai refez a contribuição por uma transferência bancária.

Transações em espécie não configuram crime, mas podem ter como objetivo dificultar o rastreamento da origem de valores obtidos ilegalmente. É o caso da “rachadinha” descrita pelo MP-RJ.(…)

Bolsonaro também realizou transação imobiliária com características suspeitas de acordo com critérios do Coaf, assim como Flávio.

Em 2009, o presidente adquiriu sua casa na Barra da Tijuca por R$ 400 mil. Quatro meses antes, a antiga proprietária havia comprado o imóvel por R$ 580 mil. Bolsonaro teve um “desconto” de 30% em comparação ao valor pago antes. (…)

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Via Folha de São Paulo

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