Manuela x Melo: eleições em Porto Alegre foram marcadas por fake news

De acordo com um levantamento do MonitorA, projeto da revista AzMina e do centro de pesquisa InternetLab, Manuela foi, de longe, a candidata mais ofendida nas redes sociais nos últimos dias da campanha eleitoral.

Manuela mostrou força política – Foto: Jefferson Botega

Ex-vice-prefeito de Porto Alegre, o deputado Sebastião Melo (MDB) vai ocupar agora o cargo mais importante da capital gaúcha. Derrotou, por 54% a 46%, a ex-deputada Manuela D’Ávila (PCdoB).

A disputa foi marcada por reviravoltas. No primeiro turno, durante toda a campanha, as pesquisas davam a ela ampla margem sobre os adversários – a vantagem chegava a quinze pontos na boca de urna do Ibope. O resultado foi outro: Manuela terminou em segundo lugar, com 29% dos votos, contra 31% do adversário. Dessa vez, o Ibope projetava empate técnico na última pesquisa, com vantagem numérica a Manuela: 51% x 49%.

Na tentativa de virar o jogo, a campanha do PCdoB investiu em convencer os portoalegrenses a votar – a abstenção no primeiro turno foi maior que os votos dela e de Melo juntos. Na reta final, trocou as redes sociais pelas ruas. Dobrou a aposta em bandeiraços, visitas a bairros e encontros com entidades representativas e mobilizações de militância para ‘virar votos’. Também intensificou a agenda de debates e entrevistas.

Na última semana de campanha, Manuela fez em média duas entrevistas e duas ações de rua por dia.

Aos 39 anos, Manuela tem uma longa carreira política. Foi líder de movimento estudantil, vereadora, deputada estadual e deputada federal por três mandatos. Também compôs, em 2018, a chapa de Fernando Haddad (PT) à presidência. Além disso, é filiada a um partido com comunista no nome. A combinação a torna alvo ideal da violência política de fundo machista. 

De acordo com um levantamento do MonitorA, projeto da revista AzMina e do centro de pesquisa InternetLab, Manuela foi, de longe, a candidata mais ofendida nas redes sociais nos últimos dias da campanha eleitoral. Foi alvo, segundo estudo, de 90% das ofensas analisadas. Marília Arraes (candidata no Recife pelo PT), e Luiza Erundina (vice na chapa do PSOL em São Paulo),  tiveram, respectivamente, 5% e 4%.

A disputa também teve episódios de desinformação.No primeiro turno, o TRE gaúcho chegou a ordenar exclusão de 91 links com mentiras sobre a candidata. Havia desde uma falsa declaração sobre aborto atribuída a ela – “abortar é a única saída para não criar filho de vagabundo sozinha!” – até postagens que a associam Adélio Bispo, autor do atentado à faca contra Bolsonaro. Ao todo, esse material teve meio milhão de compartilhamentos.

Perto da eleição, o volume da boataria cresceu. No sábado 29, apoiadores de Melo circularam pela cidade sobre um carro de som dizendo que, caso Manuela fosse eleita, os porto-alegrenses comeriam “cachorro” e a cidade se tornaria “uma Venezuela”.

Via Carta Capital

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