Grupo de vice de Covas usa verba da prefeitura em lojinhas suspeitas na máfia das creches

“Foto: Reprodução/Facebook”

A entidade gestora de escolas infantis ligada ao vice na chapa de Bruno Covas (PSDB), o vereador Ricardo Nunes (MDB), utilizou recursos recebidos dos cofres públicos municipais para pagar empresas investigadas na máfia das creches e também a uma dedetizadora pertencente à família do vereador.

Conforme a Folha revelou, Nunes é próximo de entidades gestoras de creches e também de fornecedores delas, que são seus indicados políticos na Prefeitura de São Paulo.

A reportagem identificou que, entre as empresas que recebem as verbas públicas repassadas pelo grupo do vice da chapa de Covas, há lojinhas localizadas a até 65 km de distância das creches, parte delas investigada por suspeita de serem de fachada e com ligações de parentesco entre si.

Na prestação de contas oficial, elas recebem repasses de milhares de reais em troca da venda de produtos às unidades conveniadas com a prefeitura —apesar do porte modesto e de inconsistências em alguns casos, como um açougue que aparece como fornecedor de material pedagógico.

A Polícia Civil apura a suspeita de que entidades responsáveis pelas escolinhas e escritórios de contabilidade utilizem empresas de fachada em nome de laranjas para emitir guias frias ou superfaturadas, desviando repasses municipais.

A prefeitura envia dinheiro para as entidades conveniadas, que, com ele, deveriam pagar despesas como aluguel, alimentação, material pedagógico e funcionários, entre outros. No entanto, segundo apuração policial, escritórios de contabilidade são suspeitos de coordenar um esquema que desvia desde encargos trabalhistas de funcionários até verba para alimentação das crianças.

Um dos escritórios investigados é o Fênix Assessoria Contábil, que em setembro foi alvo de busca e apreensão por parte da Polícia Civil. Segundo os investigadores, embora não conste no CNPJ da empresa, a responsável pelo escritório é Rosângela Crepaldi.

A Acria (Associação Amiga da Criança e do Adolescente), ligada ao vereador Ricardo Nunes, é cliente da Fênix.

A presidente da entidade, Elaine Targino, chama Nunes de “chefe” nas redes sociais, o que, segundo ela, é um lapso devido ao tempo que trabalhou com ele. Nunes, por sua vez, afirma ser apenas voluntário desta entidade, entre outras.

O vice na chapa de Covas também conhece Rosângela. Em junho de 2018, ele participou de evento na Câmara Municipal, na mesma mesa de Rosângela e seus familiares, para falar sobre o terceiro setor. Também posou para fotos com o grupo.

A Acria tem como seus fornecedores ao menos outras cinco empresas investigadas no caso da máfia das creches que seriam ligadas à Fênix, segundo a polícia. Investigadores suspeitam que o escritório use pessoas jurídicas em nome de laranjas para emissão de notas frias ou superfaturadas.

As tais empresas são colocadas em nomes de pessoas que trabalham ou trabalhavam na Fênix, além de seus parentes, segundo verificou a polícia. São pequenos comércios de bairro, que atuariam para várias creches como fornecedoras, o que despertou suspeitas na polícia.

Enquanto as creches da Acria ficam no extremo sul, esses fornecedores ficam do outro lado da cidade, na zona leste, mesma região do escritório da Fênix. Em alguns casos, a distância entre as creches e os fornecedores é de 65 km.

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Via Folha de São Paulo

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