COAF identificou movimentação atípica de R$ 2 MI na conta do filho de Crivella

Foto: Pedro Teixeira/Agência O Globo

O filho do prefeito do Rio, Marcelo Crivella, foi citado em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que aponta movimentações consideradas atípicas. Segundo o documento, Marcelo Hodge Crivella movimentou R$ 2 milhões entre maio de 2017 e julho de 2018, com parte das transações feitas em dinheiro vivo. A informação foi revelada pelos repórteres Marcelo Gomes e Mariana Queiroz, da Globonews, em matéria veiculada RJTV 2ª edição desta sexta-feira (25).

O relatório foi anexado à investigação sobre o esquema de corrupção na Prefeitura do Rio, conhecido como “QG da Propina”, no qual empresários pagavam valores em troca de contratos com o município e do recebimento de dívidas da prefeitura com fornecedores.

Em pouco mais de um ano, segundo a reportagem, cerca de R$ 1 milhão entrou na conta do filho do prefeito, sendo R$ 153 mil em espécie. Os débitos na conta somaram o mesmo valor que foi depositado. Do total transferido, R$ 245 mil foram enviados para a Igreja Universal do Reino de Deus, do qual o prefeito Marcelo Crivella é bispo licenciado. As movimentações atípicas não são necessariamente operações ilegais.

Segundo o documento do Coaf, a conta de Marcelo Hodge Crivella foi usada para o recebimento de recursos com envio imediato de valores expressivos sem causa aparente.

O relatório destaca duas movimentações que aconteceram em 2017 e 2018. Em 11 de dezembro de 2017, foram depositados R$ 7,5 mil na conta de Marcelo Hodge Crivella, e logo depois foram transferidos R$ 6 mil para uma conta da Igreja Universal. Já em junho de 2018, os valores são idênticos. Há um deposito de R$ 12 mil da empresa de Marcelo Hodge Crivella, MHC Consultoria e Assessoria, para a conta dele, que, em seguida, é transferido para uma conta da Igreja Universal.

Em nota, a Igreja Universal condenou o vazamento de dados e disse que não pode comentar o conteúdo de um documento ao qual não teve acesso. A nota diz que a movimentação da Igreja Universal é completamente lícita e declarada aos órgãos competentes.

Afirma ainda: “Repetimos que não há qualquer relação financeira da igreja com Marcelo Crivella e seus familiares, com a Prefeitura do Rio ou com qualquer ente público ou político-partidário”.

Na conclusão, o relatório afirma que “além das movimentações havidas em conta estarem incompatíveis com a capacidade financeira declarada pelo cliente, a conta aparentemente está sendo utilizada para o trânsito de recursos de terceiros, tendo em vista o recebimento e o envio de recursos de maneira imediata e depósitos em espécie”.

O RJTV procurou o advogado de Marcelo Hodge Crivella, que não retornou aos questionamentos até o fechamento da matéria. A prefeitura afirmou que o assunto não diz respeito ao município, e por isso não se manifestaria.

Via O Globo

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