Paulo Marinho diz que vazamento da PF a Flávio Bolsonaro foi combinado por telefone

O suposto vazamento de informações da operação Furna da Onça ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), em 2018, envolveu três pessoas ligadas ao político e acertos por telefone com um delegado da Polícia Federal, afirmou em depoimento o empresário Paulo Marinho.

Marinho, ex-aliado e ainda suplente de Flávio, denunciou o suposto esquema em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo”, em maio. Os detalhes sobre datas e horários do esquema constam em um despacho do procurador Eduardo Benones na investigação preliminar do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro.

De acordo com o depoimento de Paulo Marinho, esses três aliados de Flávio atuaram tanto no acerto do vazamento, quando na ida à Polícia Federal para receber os dados da operação. Essas ações, diz, ocorreram entre os dias 4 e 14 de outubro de 2018.

A operação Furna da Onça só foi deflagrada um mês depois, em 8 de novembro daquele ano. A ação culminou na prisão de diversos parlamentares do estado do Rio e levou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) a investigar as movimentações dos deputados.

Flávio não fazia parte da lista de investigados no dia em que a operação foi deflagrada. Mas foi o relatório do Coaf, produzido no âmbito da Furna da Onça, que apontou movimentação suspeita de R$ 1,2 milhão pelo ex-motorista de Flávio, Fabrício Queiroz.

De acordo com o depoimento de Paulo Marinho, reproduzido no documento do MPF, um delegado da Polícia Federal ligou para três contatos de Flávio para repassar as informações sigilosas, no intervalo de 4 a 14 de outubro daquele ano:

  • Victor Granado, amigo de infância de Flávio;
  • Miguel Angelo Braga Grillo, chefe de gabinete do senador, e
  • Valdenice (Val) Meliga, então assessora de Flávio.

No mesmo intervalo de tempo, o grupo teria ido à porta da sede da Polícia Federal para receber as informações da operação que ainda seria deflagrada. “Os três teriam participado desta dinâmica, do suposto telefone à suposta cena do crime”, afirma o termo de depoimento do MPF.

Desde que as denúncias foram divulgadas, tanto Flávio Bolsonaro quanto os demais citados negam as acusações.

“O senador Flávio Bolsonaro prestou todos os esclarecimentos ao Ministério Público Federal, ocasião em que ficou claro que não houve qualquer vazamento ao parlamentar. Quem precisa dar explicações sobre o caso é Paulo Marinho, suplente do senador que manipula a Justiça na tentativa de tomar a vaga de Flávio Bolsonaro no Senado”, diz nota divulgada pelo senador nesta quarta.

Reunião em dezembro

Marinho diz ter ouvido essas informações do próprio Victor Granado, que teria relatado o esquema em uma reunião na casa do empresário em 13 de dezembro de 2018 – já após a deflagração da Furna da Onça.

Essa reunião em dezembro está no centro das investigações sobre o vazamento da operação. O encontro foi o foco do depoimento de Flavio Bolsonaro, prestado ao MPF em Brasília na última segunda (20).

Aos investigadores, Flavio não negou que compareceu à reunião na casa de Paulo Marinho. Disse, porém, que o teor da conversa não foi o descrito pelo empresário, e que não tratou de vazamentos nessa ocasião.

O MP analisa as imagens do circuito interno de segurança da casa de Paulo Marinho. O material deve confirmar a existência do encontro, entre outros detalhes que podem ajudar na investigação. (…)

Via G1

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