O caráter delinquente do governo Bolsonaro

Paulo Pimenta*

Os fatos vão se encarregando de demonstrar ao país e ao mundo o caráter delinquente do governo Jair Bolsonaro. A tardia prisão de Fabrício Queiroz, escondido há um ano na casa do Dr. Wassef, advogado de Jair e Flávio Bolsonaro, em Atibaia, interior de São Paulo, revela parte dessas relações.

Ansioso por se desvencilhar de seus laços incômodos, o Presidente da República emitiu nota para negar que Wassef seja seu advogado. Os fatos desmentem a nota. Como de costume também. No último mês, em nome da defesa de Jair Bolsonaro, o Dr. Wassef contestou ações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal no caso Adélio. Há um traço congênito que marca o modus operandi da família: o apetite irreprimível para os expedientes escusos, a contravenção, os atalhos, as soluções espertas, o crime.

Depois de exposto ao país no flagrante revelado pelo Ministério Público e as polícias do Rio e de São Paulo, o Dr. Wassef se presta agora ao penoso exercício de explicar o que todos já sabemos. Um esforço patético para explicar aos cidadãos brasileiros as circunstâncias em que o Queiroz entrou em sua casa e lá permaneceu durante um ano sem que ele lhe tenha dirigido a palavra… Francamente, nem o adepto mais fiel e desligado é capaz de digerir tamanha cara de pau.

O Brasil foi exposto ao ridículo e à humilhação de ver o advogado do Presidente da República flagrado como coiteiro do Queiroz, o gerente do submundo dos negócios da família, particularmente com as milícias do Rio de Janeiro. Nunca se apresentou, quando intimado pelas autoridades, a prestar esclarecimentos no inquérito que apura lavagem de dinheiro na ALERJ, desde quando Flávio Bolsonaro ali exercia o mandato de deputado estadual.

Pela própria iniciativa do titular, o governo Bolsonaro se caracteriza por uma contínua fuga, na tentativa de safar-se das trapalhadas de ontem e de anteontem, como assistimos nesses dias. Seja no horizonte de delegacia de polícia, em que se converte assiduamente o governo, como vemos no caso Queiroz, ao ressuscitar as aventuras pregressas da família por onde passou na sua trajetória até alcançar o governo federal, seja em outros âmbitos.

Como já se tornou um hábito, na cena política brasileira, Bolsonaro busca abafar um escândalo com outro. Utilizou-se de suas atribuições como Presidente da República para facilitar a fuga de Weintraub do país e livrá-lo das mãos da justiça. Responde a dois inquéritos instaurados pelo STF. A retificação da data da exoneração do ex-ministro no Diário Oficial deixou claro o propósito de burlar a proibição de entrada de brasileiros nos EUA enquanto durar a pandemia.

O fugitivo, terraplanista e antiglobalista Abraham Weintraub baterá às portas do novo emprego no Banco Mundial, para melhorar a imagem do Brasil diante das instituições internacionais, como o Ministro que se empenhou durante um ano e quatro meses em destruir o sistema educacional brasileiro. Levará ainda em seu currículo os ataques à autonomia das universidades, o corte de verbas para bolsas de ensino e pesquisa, a tentativa abolir o sistema de cotas para a pós-graduação por meio de uma portaria horas antes da fuga, entre outros desatinos. Um currículo invejável para dar brilho ao corpo de diretores do Banco Mundial.

Em meio à pandemia do Covid-19, que já alcança mais de um milhão de infectados e 55 mil mortos oficiais, a sociedade brasileira se vê diante de um governo incapaz de oferecer respostas coerentes que detenham a maior calamidade sanitária da história do país. Agora desmoralizado pela exposição pública de suas relações com o crime, o governo Bolsonaro seguirá cambaleante, despido de autoridade para conduzir qualquer política eficaz para deter a pandemia e seus efeitos que ameaçam a saúde e a vida de milhões de brasileiros.

Defender o SUS é defender a Vida!
Fora Bolsonaro, Mourão e suas políticas genocidas!
Impeachment já!

*Paulo Pimenta é Deputado Federal – PT/RS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *