A casa tá caindo! PF pede para ouvir Bolsonaro em inquérito sobre acusações de Moro

Por CNN Brasil 23 de junho de 2020 às 17:02 | Atualizado 23 de junho de 2020 às 17:25

Jair Bolsonaro e Sérgio Moro em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília. Imagem: Adriano Machado

A Polícia Federal pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) para ouvir o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no inquérito que apura as acusações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro sobre interferência política na corporação.

O pedido foi feito pela PF na sexta-feira (19). Caberá ao ministro Celso de Mello, responsável pelo inquérito no STF, decidir se e quando Bolsonaro vai prestar depoimento; e, caso vá, se prestará depoimento presencialmente ou por escrito.

Antes da decisão do ministro, os advogados do presidente ainda devem manifestar, no inquérito, se Bolsonaro gostaria de depor presencialmente ou por escrito.

Em 2017, o então presidente Michel Temer (MDB) prestou depoimento por escrito no inquérito que apurava irregularidades no setor de portos.

Moro pediu demissão do Ministério da Justiça no fim de abril, ocasião em que acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente na PF. Ele pediu para deixar o cargo depois da exoneração de Maurício Valeixo, então diretor-geral da corporação.

No começo de maio, em depoimento à Polícia Federal, Moro disse ter sofrido pressão de Bolsonaro para mudar o comando da corporação e da superintendência da PF no Rio de Janeiro.

Ainda de acordo com o depoimento de Moro, Bolsonaro pedia substituições na PF para ter “acesso a relatórios de inteligência da PF”, mas que o presidente já tinha acesso a esses documentos por meio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin). 

A íntegra do depoimento de Moro foi divulgada em primeira mão pela CNN. Após a divulgação, Bolsonaro classificou as acusações feitas pelo ex-ministro como “mentira deslavada”.

Dias depois, em nota, o presidente voltou a negar que tivesse interferido politicamente na Polícia Federal e afirmou que, “por questão de Justiça”, acreditava “no arquivamento natural do inquérito”.

“Nunca interferi nos trabalhos da Polícia Federal. São levianas todas as afirmações em sentido contrário. Os depoimentos de inúmeros delegados federais ouvidos confirmam que nunca solicitei informações a qualquer um deles”, disse o presidente.

No dia 8, a pedido da PF e com manifestação favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República), Celso de Mello decidiu prorrogar por 30 dias o inquérito sobre as acusações de Moro. 

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